Consumidor de Ponta Porã relata suspensão de energia apenas três dias úteis após vencimento da conta; Câmara já discutiu CPI e população cobra fiscalização mais rígida
Uma denúncia encaminhada ao Líder News por um morador de Ponta Porã reacendeu um debate que já vem ganhando força na fronteira: a péssima qualidade dos serviços prestados pela Energisa e a falta de respeito aos direitos dos consumidores.
Segundo relatos recebidos pela reportagem, o fornecimento de energia de uma residência foi suspenso no terceiro dia útil após o vencimento da fatura, situação que levanta sérios questionamentos sobre o cumprimento das normas da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL).
Pelas regras nacionais, a concessionária deve realizar notificação prévia com antecedência mínima de 15 dias antes da suspensão por inadimplência, justamente para garantir ao consumidor oportunidade de regularização.
Como alguém pode ser avisado em apenas três dias?
Essa é a principal pergunta feita por consumidores que procuraram o portal após a divulgação do caso.
Se a energia foi cortada apenas três dias úteis após o vencimento, como teria sido cumprida a exigência de aviso prévio de 15 dias?
É justamente essa contradição que vem gerando indignação.
Especialistas em direito do consumidor apontam que o corte sem observância dos procedimentos regulatórios pode caracterizar irregularidade e até gerar responsabilização da concessionária em determinadas situações.
Problema não é isolado
A denúncia chega em um momento em que a própria Câmara Municipal de Ponta Porã já colocou a Energisa no centro de um debate público.
No dia 25 de março deste ano, vereadores realizaram audiência pública para discutir os serviços prestados pela concessionária após uma sequência de reclamações envolvendo quedas de energia, oscilações e prejuízos causados à população.
Audiência pública terminou em revolta
A situação ganhou ainda mais repercussão quando representantes da Energisa não compareceram à audiência realizada pela Câmara Municipal.
O episódio gerou forte reação entre parlamentares.
A própria Câmara publicou matéria afirmando que a concessionária teria dado um verdadeiro “calote” institucional ao debate público, diante da ausência em uma audiência convocada para discutir problemas que afetam diretamente milhares de consumidores.
Na ocasião, vereadores chegaram a defender a possibilidade de abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para aprofundar a investigação sobre a prestação dos serviços.
Região de Nova Itamarati relata prejuízos constantes
Durante os debates públicos, moradores da região de Nova Itamarati relataram perdas recorrentes provocadas pelas interrupções no fornecimento.
Segundo manifestações registradas durante a audiência, produtores e famílias denunciaram prejuízos relacionados à conservação de alimentos, funcionamento de equipamentos e atividades produtivas.
As reclamações não se restringem à área rural.
Moradores da zona urbana também vêm apontando oscilações, interrupções repentinas e danos em aparelhos eletrônicos.
AGEMS já determinou ressarcimentos milionários
Os questionamentos à concessionária não se limitam a reclamações populares.
Fiscalizações oficiais da Agência Estadual de Regulação (AGEMS) resultaram em determinações de compensações financeiras contra a empresa.
Em 2025, fiscalização da agência garantiu aproximadamente R$ 890 mil em ressarcimentos a consumidores prejudicados por atrasos em serviços prestados pela concessionária.
Antes disso, outra fiscalização determinou a devolução de aproximadamente R$ 1,5 milhão em cobranças consideradas indevidas em mais de 34 mil faturas de energia elétrica.
Reclamações espalhadas por todo o Estado
O problema também deixou de ser apenas uma discussão local.
Em 2026, a Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul passou a discutir publicamente a qualidade do fornecimento de energia no Estado.
Segundo informações apresentadas durante debates promovidos pela ALEMS, dezenas de reclamações foram registradas envolvendo interrupções, falhas na distribuição e dificuldades enfrentadas pelos consumidores.
O que fazer se a Energisa agir de forma irregular?
Especialistas orientam que o consumidor nunca aceite passivamente situações que considere abusivas.
Caso ocorra:
- Corte sem aviso prévio;
- Cobrança indevida;
- Oscilações que queimem equipamentos;
- Demora excessiva na religação;
- Descumprimento de prazos;
o consumidor deve reunir provas imediatamente.
Guarde tudo
É fundamental preservar:
- Faturas;
- Protocolos de atendimento;
- Prints do aplicativo;
- Conversas registradas;
- Fotografias;
- Vídeos;
- Laudos técnicos de equipamentos danificados.
Esses documentos podem ser decisivos para futuras reclamações e pedidos de indenização.
Onde denunciar
Consumidores podem registrar reclamações junto a:
Agência Estadual de Regulação (AGEMS)
Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL)
Procon
Ouvidoria da própria concessionária
Serviço essencial exige responsabilidade
Energia elétrica não é um serviço supérfluo.
Ela impacta diretamente:
- Conservação de alimentos;
- Saúde de pacientes;
- Funcionamento de comércios;
- Produção rural;
- Educação;
- Segurança.
Por isso, cresce em Ponta Porã e em toda a fronteira a cobrança para que os órgãos fiscalizadores acompanhem de forma mais rigorosa a atuação da concessionária.
O caso denunciado ao Líder News pode ser apenas mais um entre muitos episódios que vêm alimentando a insatisfação popular com os serviços prestados pela Energisa em Mato Grosso do Sul.
Fonte: Líder News

