Falta de energia na zona rural é constante e concessionária sequer possui base operacional no município
Produtores rurais e demais segmentos do setor produtivo e empresarial de Ribas do Rio Pardo vão entrar na Justiça para obrigar a Energisa a melhorar a qualidade dos serviços de distribuição e de manutenção da rede de energia elétrica.
A situação dos consumidores na área rural é de desespero, já que diariamente o fornecimento é suspenso, chegando algumas propriedades a enfrentar vários dias sem energia elétrica.
Em função disso, os prejuízos se acumulam. Cansados de cobrar da concessionária medidas que garantam pelo menos a estabilidade do sistema, os produtores decidiram agora buscar amparo da Justiça.
Só piorando
“A situação, que há anos já era ruim, agora está insustentável”, reclama o engenheiro florestal Moacir Reis, vice-presidente da Associação Sul-Mato-Grossense de Produtores e Consumidores de Florestas Plantadas (Reflore) e presidente do Sindicato das Indústrias e dos Produtores de Carvão Vegetal de Mato Grosso do Sul (Sindicarv).
Investimento zero
Os investimentos da empresa na rede elétrica também são inexistentes. Até postes de madeira carcomidos pelo tempo continuam sustentando os cabos de distribuição de energia.
Em paralelo, a companhia estaria reduzindo as equipes de manutenção terceirizadas, o que provoca maior tempo de espera para o atendimento dos chamados.
Socorro vem da Capital
“Nem mesmo uma base operacional a companhia possui em nosso município. Quando abrimos chamadas em função de algum problema, principalmente de suspensão no fornecimento, equipes são deslocadas de Campo Grande, demorando até mais de uma hora apenas para se deslocar até Ribas, isso quando o tráfego na rodovia está tranquilo”, desabafa Moacir Reis.
Novo apagão
Entre a manhã de quarta-feira e esta sexta-feira (30), diversas propriedades estavam sem energia elétrica, conforme prints de mensagens de WhatsApp trocadas por consumidores em grupo criado especificamente para tratar de questões relacionadas à Energisa.
Entre elas as fazendas Ilha da Mata, que nesta sexta-feira entrou no quarto dia sem energia, Sertaneja, Pontal, Formoso (sem energia há 20 dias), Passará e região (ficou 8 dias sem fornecimento), São José e Assentamento Novo Modelo (há 6 dias sem energia).

Compra de geradores
As reclamações de Moacir Reis são referendadas por outros produtores rurais. Cansado de esperar da Energisa solução para as constantes quedas de energia e a demora no restabelecimento do fornecimento, um deles adquiriu 11 geradores para atender as casas de seus colaboradores.
Essa alternativa, em função do custo do equipamento, não é para todos, conforme lembra Moacir Reis, ao relatar que os prejuízos com a perda de alimentos e demais produtos perecíveis que precisam de refrigeração atinge a todos, indistintamente.
Ação Civil Pública
Para o advogado Guilherme Tabosa, presidente da Associação Empresarial do Vale da Celulose (AEVC), “as diversas e repetidas falhas no fornecimento de energia já são uma longa história de negligência da Concessionária e autoridades públicas”.
“O descaso não pode mais ser suportado, pois, além de ser um serviço público essencial para a dignidade humana da comunidade, há grave e recorrente notícia de prejuízos para a produção rural, empresarial e comercial”, argumentou.
Para ele, essa situação “requer contundente atuação da AEVC contra o descaso da fornecedora perante seus associados e demais consumidores, o que será feito nos próximos dias por meio da adoção das medidas judiciais cabíveis”, disse Tabosa, ao anunciar que será ajuizada Ação Civil Pública (ACP) contra a concessionária.
Outro lado
O jornal Vox MS enviou questionamentos à assessoria de imprensa da Energisa solicitando o posicionamento da empresa diante das reclamações dos consumidores.
As indagações foram encaminhadas também à Agência Estadual de Regulação de Serviços Públicos de Mato Grosso do Sul (Agems), que possui em sua estrutura organizacional a Câmara Técnica de Energia Elétrica.
Até a publicação desta matéria, nenhuma das duas instituições havia se manifestado. O espaço segue aberto pare eventual posicionamento.
Fonte: Vox MS

