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Nas mãos de detentas, cabelo apreendido vira peruca para quem trata câncer em MS

Cobiçado para fazer mega hair nos salões de beleza, o cabelo humano tem sido alvo de contrabando e furto em Mato Grosso do Sul. Na semana passada, por exemplo, um estabelecimento da Capital teve prejuízo de R$ 55 mil após ter 2,5 quilos em fios levados por um ladrão.

Já quanto ao material que é apreendido como contrabando na Capital e fica armazenado no depósito da Receita Federal, o trabalho de detentas do presídio feminino Irmã Zorzi de Campo Grande está garantindo uma boa finalidade.

Elas estão costurando perucas destinadas a pacientes que lutam contra o câncer em Mato Grosso do Sul e perdem os fios naturais como consequência do tratamento.

A Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário), que coordena o trabalho, prevê a produção de mil perucas. A diretora do presídio, Mari Jane Boleti Carrilho, explica que as detentas que fazem trabalhos assim dentro dos presídios têm direito à remissão de um dia de pena a cada três dias de serviço prestado.

Mari Jane destaca outro benefício. “Acreditamos que é uma ação muito positiva e de benefício mútuo, pois contribui diretamente com a sociedade e, ao mesmo tempo, oferece ocupação produtiva e ajuda a capacitar profissionalmente nossas custodiadas, além de incutir novos valores psicológicos e humanos”, afirma.

Detenta que teve a identidade preservada e é uma das envolvidas na ação relata como é fazer as perucas, após ela mesma ter vencido um câncer. “Quando fiquei careca, entrei em depressão, não tinha vontade de fazer nada. Agora, posso com meu trabalho ajudar quem está passando pelo que passei e isso é muito gratificante”, conta.

Aumento de 800% – Delegado regional da Receita Federal, Zumilson Custódio da Silva confirma que houve um aumento expressivo na apreensão de cabelos nos últimos anos: mais de 800% entre 2022 (200 quilos) e 2023 (1.900 quilos).

Mato Grosso do Sul serve como rota para cabelos contrabandeados da Ásia, destinados aos grandes centros do Brasil, como São Paulo e Rio de Janeiro, explica Silva. “Temos uma grande fronteira seca com o Paraguai e a Bolívia, é um produto fácil de ser transportado, com alto valor agregado e a cada dia mais demandado no mercado da beleza”, conclui.

Fonte: Campo Grande News