Pesquisa Ranking Brasil Inteligência mostra forte crescimento do deputado federal Vander Loubet após a retirada de Nelsinho Trad do cenário eleitoral; petista se aproxima de Capitão Contar e passa a disputar diretamente uma das duas vagas ao Senado
A desistência de Nelsinho Trad da disputa pelo Senado provocou uma importante reorganização no cenário eleitoral de Mato Grosso do Sul e teve impacto direto sobre o desempenho dos principais candidatos. É o que revela a nova pesquisa do Instituto Ranking Brasil Inteligência, realizada entre os dias 7 e 12 de agosto, com 2 mil entrevistados em 30 municípios do Estado.
O principal destaque, entre os candidatos que passaram a ocupar o espaço deixado por Nelsinho, é o deputado federal Vander Loubet (PT). O petista apresentou crescimento expressivo nos três principais indicadores de intenção de voto: espontânea, estimulada para o primeiro voto e estimulada para o segundo voto.
Na pesquisa espontânea, quando o eleitor não recebe uma lista de candidatos, Vander saltou de 3,6% para 9,2%. O crescimento de 5,6 pontos percentuais coloca o deputado em terceiro lugar, atrás de Reinaldo Azambuja (PL), com 18%, e Capitão Contar (PL), com 10%.
O avanço também aparece na pesquisa estimulada. No cenário do primeiro voto, Vander passou de 11% para 17,8%, um crescimento de 6,8 pontos percentuais. Com isso, ficou apenas 2,2 pontos atrás de Contar, que aparece com 20%.
No segundo voto, o desempenho também foi positivo. Vander passou de 11,6% para 16,7%, enquanto Contar aparece com 25% e Azambuja lidera com 30%.
Crescimento de Vander supera a simples transferência de votos
Os números indicam que Vander foi, de fato, um dos principais beneficiários da saída de Nelsinho Trad. No entanto, a pesquisa não permite afirmar que todo o crescimento do petista seja resultado da transferência direta dos votos do ex-senador.
Na pesquisa anterior, Nelsinho aparecia com 20,2% no primeiro voto. Com sua retirada, Azambuja avançou de 22% para 34%, Contar passou de 18% para 20%, Vander subiu de 11% para 17,8% e Soraya Thronicke passou de 8% para 9%.
Ou seja, o eleitorado de Nelsinho não migrou em bloco para um único candidato. Houve uma redistribuição dos votos entre diferentes nomes.
O maior crescimento absoluto foi de Azambuja, que ganhou 12 pontos percentuais. Vander, entretanto, teve o segundo maior avanço, com 6,8 pontos, e foi quem mais alterou sua posição relativa na disputa.
A leitura política mais provável é que a saída de Nelsinho abriu um espaço eleitoral que passou a ser disputado por diferentes candidaturas, e Vander conseguiu ocupar uma parcela significativa desse espaço.
Espontânea é sinal de consolidação
Um dos dados mais favoráveis a Vander está justamente na pesquisa espontânea.
Ao longo dos levantamentos anteriores apresentados pelo instituto, o deputado passou de 2,8% para 4%, depois para 5,4%, chegou a 3,6% e agora alcança 9,2%.
O salto demonstra que o nome de Vander passou a estar mais presente na memória dos eleitores. Isso é importante porque, na espontânea, o entrevistado não recebe uma relação de candidatos.
Portanto, o resultado sugere não apenas efeito da retirada de Nelsinho, mas também um processo de crescimento próprio da candidatura de Vander, impulsionado pela maior exposição e pela consolidação de seu nome na corrida pelo Senado.
Rejeição também melhora
Outro fator que chama atenção é a evolução da rejeição.
Vander tinha 12,2% de rejeição na pesquisa anterior e agora aparece com 9,8%, uma redução de 2,4 pontos percentuais.
O dado é politicamente relevante porque o crescimento da intenção de voto não veio acompanhado de aumento da resistência ao candidato. Pelo contrário: Vander conseguiu ampliar sua votação e, simultaneamente, diminuir sua rejeição.
Na atual pesquisa, Soraya Thronicke lidera a rejeição, com 14,2%, seguida por Contar, com 12%, e Vander, com 9,8%. Azambuja apresenta 7,4%.
A combinação de crescimento e redução da rejeição coloca Vander em uma situação potencialmente favorável para a continuidade da campanha.
Disputa pela segunda vaga ganha novo desenho
A eleição de 2026 terá duas vagas para o Senado em Mato Grosso do Sul, o que torna particularmente importante a disputa pelo segundo lugar.
Nesse aspecto, a pesquisa apresenta uma mudança significativa.
Azambuja mantém uma liderança confortável, com 34% no primeiro voto. Contar aparece em segundo, com 20%, e Vander surge logo atrás, com 17,8%.
A diferença entre Contar e Vander, portanto, caiu para apenas 2,2 pontos percentuais.
No segundo voto, a distância é maior, mas Vander também aparece consolidado na terceira posição: Azambuja tem 30%, Contar 25%, Vander 16,7% e Soraya 8%.
A fotografia eleitoral do levantamento coloca, assim, três nomes em um bloco claramente competitivo: Azambuja, Contar e Vander.
Nelsinho deixa de ser candidato, mas seu eleitorado passa a ser decisivo
A saída de Nelsinho Trad modificou uma configuração que vinha se repetindo nas pesquisas anteriores. Até então, Azambuja, Nelsinho e Contar formavam o grupo dos candidatos mais competitivos, enquanto Vander aparecia em posição mais distante.
Com a retirada do senador, o cenário se abriu.
Azambuja ampliou sua liderança, Contar preservou a segunda posição e Vander avançou fortemente, reduzindo a distância para o segundo colocado.
Por isso, embora não seja possível afirmar que Vander tenha herdado diretamente os votos de Nelsinho, é possível concluir que a retirada do ex-candidato criou condições para que o petista avançasse significativamente.
Vander passa a ser um nome central na disputa
A principal mudança provocada pela nova pesquisa talvez não esteja apenas nos percentuais, mas na natureza da disputa.
Vander deixa de ser apenas um candidato tentando crescer e passa a integrar efetivamente o grupo que disputa uma das duas vagas ao Senado.
A distância de apenas 2,2 pontos para Contar no primeiro voto coloca o deputado em uma posição que pode ser decisiva nas próximas pesquisas.
Para Vander, o desafio agora é transformar o crescimento inicial em tendência consistente. Para isso, precisará preservar a redução da rejeição, ampliar sua presença entre os eleitores indecisos e consolidar o eleitorado que eventualmente migrou de Nelsinho Trad.
A pesquisa também mostra que a disputa ainda está aberta. Dos 20,2% que Nelsinho tinha no primeiro voto, nenhum candidato absorveu sozinho esse eleitorado. Isso significa que uma parcela importante do eleitorado continua sujeita a mudanças.
Conclusão
Os números do Instituto Ranking Brasil Inteligência permitem uma conclusão objetiva: Vander Loubet foi beneficiado pela retirada de Nelsinho Trad e apresentou um dos maiores avanços da pesquisa de agosto.
Entretanto, não há elementos suficientes para afirmar que o crescimento de Vander seja exclusivamente consequência da desistência de Nelsinho.
O fenômeno parece combinar dois fatores: um crescimento próprio da candidatura de Vander, que já vinha sendo observado em pesquisas anteriores, e uma redistribuição do eleitorado provocada pela saída de Nelsinho.
O dado politicamente mais relevante é que Vander passou a ocupar um espaço muito mais competitivo. Com 17,8% no primeiro voto, 16,7% no segundo e apenas 9,8% de rejeição, o deputado se aproxima de Contar e entra definitivamente no radar da disputa por uma das duas vagas.
Se essa tendência for confirmada pelos próximos levantamentos, a saída de Nelsinho Trad poderá ser lembrada não apenas como um fator que fortaleceu Azambuja, mas também como o momento em que Vander Loubet ganhou condições reais de disputar uma vaga no Senado por Mato Grosso do Sul.
Pesquisa: Ranking Brasil Inteligência.
Período: 7 a 12 de agosto de 2026.
Amostra: 2.000 eleitores com 16 anos ou mais, em 30 municípios de Mato Grosso do Sul.
Margem de erro: 2,2 pontos percentuais, para mais ou para menos.
Intervalo de confiança: 95%.
Registros: MS-MS-09590/2026 e BR-03493/2026.
Rosa Vasconcelos, Planews
Informações: Ranking Brasil Inteligência

