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Taxa ambiental em Bonito provoca mudança no fluxo turístico e favorece municípios vizinhos

A implantação da Taxa de Conservação Ambiental (TCA) pela Prefeitura de Bonito, no valor de R$ 15 por pessoa ao dia, já começa a provocar impactos perceptíveis no turismo da região sudoeste de Mato Grosso do Sul. A medida, que tem como objetivo financiar ações de preservação ambiental, vem sendo alvo de críticas por parte do trade turístico e de visitantes, que apontam efeitos negativos na movimentação econômica do município.

Empresários do setor relatam um aumento significativo no cancelamento de reservas em Bonito e no redirecionamento de pacotes turísticos para destinos próximos, com destaque para o município de Bodoquena. A cidade vizinha tem sido escolhida como alternativa por oferecer atrativos naturais semelhantes, como rios de águas cristalinas, cachoeiras e trilhas ecológicas, sem a cobrança de taxa municipal aos turistas.

Segundo representantes do trade, além do custo adicional, a TCA é considerada por parte do setor como inconstitucional, o que intensificou a insatisfação e gerou insegurança entre operadores e visitantes. Turistas também relatam que a decisão influenciou diretamente o planejamento das viagens, levando muitos a reavaliar roteiros já definidos.

Outro fator que tem pesado na escolha de Bodoquena é a sensação de maior acolhimento e menor burocracia. Visitantes afirmam que a experiência mais simples e acessível contribui para uma percepção positiva do destino, fortalecendo sua imagem como opção viável para quem busca contato com a natureza sem custos adicionais.

A migração de turistas acende um alerta para a economia de Bonito, que depende fortemente do turismo como principal fonte de renda e geração de empregos. Especialistas avaliam que decisões adotadas sem amplo diálogo com a população e o setor produtivo podem gerar efeitos colaterais indesejados, especialmente em uma região onde a concorrência turística está a poucos quilômetros de distância.

Enquanto Bodoquena ganha visibilidade e passa a ocupar espaço no mercado turístico regional, cresce a pressão para que a Prefeitura de Bonito reavalie a cobrança da TCA, buscando alternativas que conciliem preservação ambiental, sustentabilidade econômica e a manutenção da competitividade do destino.

Rosa Vasconcelos, Planews