O hábito de consumir água em garrafas plásticas, comum no dia a dia de milhões de pessoas, tem sido alvo de alertas de pesquisadores e profissionais da saúde. Estudos recentes, realizados entre 2024 e 2026, apontam que esse consumo pode expor a população a riscos que vão desde a ingestão de partículas microscópicas até o contato com substâncias químicas capazes de interferir no funcionamento do organismo.
Um dos principais pontos de atenção é a presença de microplásticos e nanoplásticos na água engarrafada. Pesquisas indicam que um único litro pode conter cerca de 240 mil fragmentos de plástico, muitos deles invisíveis a olho nu. Os nanoplásticos, ainda menores, têm a capacidade de atravessar barreiras naturais do corpo humano, alcançando a corrente sanguínea e órgãos vitais como fígado, rins e até o cérebro. Cientistas investigam a relação dessas partículas com inflamações crônicas, estresse oxidativo e possíveis doenças neurológicas e cardiovasculares.

Outro fator preocupante é a liberação de substâncias químicas presentes no material das garrafas, geralmente fabricadas em PET. Compostos como o Bisfenol A (BPA) e os ftalatos podem migrar para a água, especialmente quando o recipiente é exposto ao calor ou à luz solar. Essas substâncias são classificadas como disruptores endócrinos, pois imitam hormônios naturais do corpo, como o estrogênio, podendo provocar desequilíbrios hormonais, afetar a fertilidade, aumentar o risco de certos tipos de câncer e impactar o desenvolvimento fetal.
A situação se agrava quando as garrafas descartáveis são reutilizadas, prática comum entre consumidores. Com o uso, o plástico desenvolve microfissuras quase imperceptíveis, que se tornam um ambiente ideal para a proliferação de bactérias e fungos. Além disso, o bocal da garrafa acumula microrganismos provenientes da boca e das mãos, elevando o risco de infecções gastrointestinais.

Diante desse cenário, especialistas recomendam mudanças simples para reduzir a exposição aos riscos. Entre as principais orientações estão optar por garrafas de vidro ou aço inox, materiais considerados inertes e mais fáceis de higienizar; evitar consumir água de garrafas que ficaram expostas ao calor, como dentro de veículos; não reutilizar garrafas descartáveis; e investir em sistemas de filtragem de água, combinados ao uso de recipientes reutilizáveis adequados.
Além de proteger a saúde, essas medidas também contribuem para a redução do impacto ambiental causado pelo descarte excessivo de plástico, reforçando a importância de escolhas mais conscientes no consumo diário de água.
Rosa Vasconcelos, Planews
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