Iniciativa fortalece o empreendedorismo e a autossustentabilidade do povo Terena
Aquidauana (MS) tornou-se palco de um marco histórico para o desenvolvimento sustentável e o protagonismo indígena. Foi lançada no município a primeira cooperativa indígena de piscicultura de Mato Grosso do Sul, criada pela comunidade Terena da Terra Indígena (TI) Taunay-Ipegue. A iniciativa, denominada Projeto Hô’e, reúne cerca de 20 piscicultores indígenas e conta com o apoio do Ministério dos Povos Indígenas (MPI).
O objetivo do projeto é incentivar o empreendedorismo e a geração de renda dentro das aldeias, por meio da criação controlada de peixes como Pintado e Pacu. A ação representa um passo importante na busca por autossustentabilidade, segurança alimentar e fortalecimento econômico das comunidades indígenas de Aquidauana.
O evento de lançamento contou com a presença de diversas lideranças, entre elas o secretário-executivo do Ministério dos Povos Indígenas, Eloy Terena, e o cacique Otto, que lidera a Cooperativa Vukápanavo Terenoe — organização responsável pela gestão da nova cooperativa.

Tanques de peixes para trabalho de piscicultura localizados no Território Taunay/Ipegue, em Aquidauna (Foto: Divulgação / Cooperativa Vukápanavo Têrenoe)
Marco para o povo Terena
A estruturação do Projeto Hô’e ganhou força a partir de junho deste ano, quando 16 tanques foram instalados na Terra Indígena Taunay-Ipegue, possibilitando o início efetivo da produção. A cooperativa foi recebida com entusiasmo pela comunidade, sendo considerada um símbolo de independência econômica e valorização da cultura Terena. “Este é um passo fundamental para que o nosso povo caminhe com autonomia, preservando nossos saberes e fortalecendo nossa economia dentro dos territórios indígenas”, destacou o cacique Otto durante o lançamento.
A proposta do projeto vai além da piscicultura: busca promover a formação técnica dos produtores, estimular o trabalho coletivo e garantir a sustentabilidade ambiental em todas as etapas do processo produtivo.
Reconhecimento e conquistas
O protagonismo indígena em Aquidauana vem ganhando destaque nacional. Outro exemplo é o projeto Semeador do Bem Viver, também desenvolvido na TI Taunay-Ipegue, que recentemente foi premiado no “Prêmio Chico Vive”, na categoria Bioma Pantanal. A iniciativa, liderada por jovens indígenas, combina saberes tradicionais e ciência para restaurar áreas degradadas, recuperar rios e nascentes e plantar árvores nativas — ações que contribuem diretamente para a preservação do Pantanal.
Expansão da piscicultura indígena
O incentivo à piscicultura entre povos indígenas tem sido ampliado em todo o estado. Em fevereiro, foi criado o Programa Teko Porã, uma parceria entre o Instituto Federal de Mato Grosso do Sul (IFMS) e o Ministério dos Povos Indígenas, com o objetivo de fomentar a geração de renda e o manejo sustentável entre o povo Guarani-Kaiowá.
O programa prevê a instalação de tanques elevados para a criação de peixes, além de promover ações de reinserção social para indígenas em situação de encarceramento no Presídio de Amambai (MS) e o fortalecimento das casas de reza, como forma de proteger e valorizar a espiritualidade e a cultura ancestral.
Apoio e reconhecimento municipal
O prefeito de Aquidauana, Mauro do Atlântico, também destacou a importância da iniciativa para o desenvolvimento sustentável e a valorização da cultura indígena no município. “A criação da primeira cooperativa indígena de piscicultura em Aquidauana é motivo de grande orgulho. Esse projeto representa autonomia, trabalho e futuro para o povo Terena. A Prefeitura é parceira e apoiadora de ações que fortalecem o empreendedorismo indígena, respeitam o meio ambiente e geram oportunidades de renda dentro dos territórios tradicionais”, afirmou o prefeito.
Desenvolvimento sustentável e futuro
Com o lançamento da cooperativa Vukápanavo Terenoe, o povo Terena dá um novo exemplo de como empreendedorismo, tradição e sustentabilidade podem caminhar juntos. O projeto reforça a importância das políticas públicas voltadas aos povos indígenas e coloca Aquidauana em posição de destaque como referência em produção sustentável e protagonismo comunitário. “A criação da cooperativa mostra que o desenvolvimento pode e deve respeitar a identidade e o modo de vida dos povos indígenas”, destacou Eloy Terena, ressaltando o papel do Ministério no fortalecimento das iniciativas locais.
A experiência da TI Taunay-Ipegue inspira outras comunidades a investir em modelos de produção que geram renda, preservam o meio ambiente e reafirmam a autonomia dos povos originários — construindo um futuro mais justo, sustentável e inclusivo para o Mato Grosso do Sul.
Fonte: Campo Grande News

