O homem de 36 anos preso pela Polícia Civil suspeito de estuprar e engravidar a própria filha, de 11, em Anastácio, já virou estrela nacional ao despertar piedade das pessoas por conta de uma história triste, mas muito menos trágica. Em 2014, o agricultor participou de programas de auditório dominicais de rede nacional após se tornarem conhecidas as notícias sobre a condição de vida precária da família.

O Correio do Estado viu as imagens de uma dessas participações, inclusive com a vítima, então com 7 anos, aparecendo alegre ao lado do pai, futuro agressor, da mãe, de 41, e dos outros três irmãos no palco do auditório, recebendo doações, quantias em dinheiro, objetos de uso pessoal, como roupas, fraldas e eletrodomésticos, em meio a choros e abraços de emoção. Mas o sonho para o agricultor, considerado uim bom pai pela imagem fabricada em cadeia nacional, acabou em menos de um ano, depois das constantes denúncias no Conselho Tutelar da cidade

“Foi uma ilusão”, desabafou um vizinho da família à época, pelas redes sociais. “Venderam tudo que ganharam, compraram moto, carro, davam festas todos os dias, enquanto as crianças ficavam trancadas sozinhas em um quarto, sozinhas”, completou.

O diagnóstico do Serviço Social municipal na ocasião foi de alcoolismo e vício em drogas. As crianças, incluindo recém-nascidas e a vítima de estupro, foram então levadas a um abrigo da prefeitura enquanto o suspeito e sua mulher realizaram tratamento para as dependências.

Três das quadrigêmeas indígenas tem alta da UTI Neonatal em MS (Foto: Gabriela Pavão/ G1 MS)

MUDANÇA

Pais e filhos voltaram ao convívio familiar após diagnóstico psiquiátrico e da assistência social comprovando a rebailitação de ambos. Mas a esperança de um futuro melhor já havia sido perdida. A pobreza era extrema. E começou a violência.

O suspeito foi preso pelo menos duas vezes pela Polícia Militar, em 2015 e 2016, por xingar e agredir a mulher, sempre na frente dos filhos. Em uma delas, pagou R$ 300 de fiança em dinheiro e foi liberado. Na outra, teria ameaçado queimar os bebês aos familiares dela. Mas acabou liberado. Acabaram se separando. E ele até certo ponto mantinha um bom relacionamento com os filhos mais crescidos.

Em depoimento na última terça-feira (4), a menina não precisou quando começaram os estupros. Apenas que era abusada quando levava a marmita do almoço para o pai, em meio às plantações na qual era responsável. O triste pai brasileiro que comoveu o Brasil pela dificuldade teve sua faceta monstruosa vindo à tona em 13 de julho, quando a menina chegou ao quarto mês de gestação e não conseguiu mais disfarçar o inevitável crescimento corporal de uma grávida, ainda mais com tão pouca idade. A mãe, enfurecida, detectou o estupro. No depoimento, a surpresa de quem era o autor.

O suspeito zombou primeiro das ações judiciais. Rasgou o documento que exigia que mantivesse a distância de sua vítima. Ousou tentar se reaproximar da menina de forma ielgal. E, diante dos frustrados planos de fuga para o Rio Grande do Sul, onde tem parentes, decidiu se entregar à Polícia Civil, não sem antes chiocar mais uma vez – como se fosse possível – e garantir que as relações eram consentidas. Só? Não. Ainda prometeu assumir o filho e forneceu o material genético para comprovar o crime cometido.

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Ao site JNE, a coordenadora do Creas (Centro de Referência Especializado de Assistência Social) de Anastácio, a assistente social Débora do Carmo, diz que em depressão profunda, a menina saiu do convívio da mãe e foi morar com uma familiar, sendo acompanhada semanalmente.

“É uma criança, não parece ter a idade que tem, um corpo que não tem estrutura para aguentar uma gestação. Ela não aceita a gravidez, o fato do bebê mexer na barriga, deixa ela incomodada, a ponto de ter vontade de atentar contra a própria vida”, contou a coordenadora

Segundo ela na ocasião, não havia a hipótese da menina criar o filho e era cogitada entregá-lo à adoção.

Segundo o delegado Jackson Vale, responsável pelo caso, hipóteses continuam sendo investigadas, como o abuso sexual de outros filhos ou a participação de colegas no caso em que responde por estupro de vulnerável, com agravante de ser familiar.

 

Correio do Estado

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