O sonho de ter o próprio computador está cada vez mais próximo para o estudante de 21 anos, Gabriel Jard, que há 3 meses decidiu catar latinhas parar comprar um notebook e escrever o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), em Corumbá, região do Pantanal sul-mato-grossense.

De acordo com o estudante de educação física, a falta de oportunidade de emprego não foi barreira para juntar dinheiro e tentar comprar um computador.

“Tentei fazer alguns bicos, mas, infelizmente não consegui. Meus pais sempre se esforçaram para dar o melhor, mas pela minha idade, já está no momento de eu sentir o peso das responsabilidades. Quem quer vai a luta”, explica ao G1.

Segundo Gabriel, a experiência de catar latinhas, começou em dezembro de 2018, quando precisava de uma bicicleta para ir ao estágio.

“Indo de ônibus não dava tempo de fazer as coisas aí decidi começar a catar o material, mas, acabei ganhando a bicicleta e daí dei continuidade no projeto. Agora, estou trabalhando para comprar o computador”, explica.

Estudante de educação física catando latinhas para comprar notebook, em Corumbá (MS). — Foto: Facebook/ReproduçãoEstudante de educação física catando latinhas para comprar notebook, em Corumbá (MS). — Foto: Facebook/Reprodução

Estudante de educação física catando latinhas para comprar notebook, em Corumbá (MS). — Foto: Facebook/Reprodução

 

O jovem que já conseguiu 50% da renda para adquirir o notebook, orçado em R$ 2 mil, afirma que não sente vergonha de percorrer as ruas da cidade em busca do material reciclável. Como estuda em período integral, as caminhadas sempre acontecem no período noturno.

“Eu me preparei bastante e não tive medo, mas, sabia que poderia acontecer alguma situação desagradável e aconteceu”, lamenta.

Acadêmico vende latinhas para comprar notebook e escrever TCC, em MS. — Foto: Facebook/ReproduçãoAcadêmico vende latinhas para comprar notebook e escrever TCC, em MS. — Foto: Facebook/Reprodução

Acadêmico vende latinhas para comprar notebook e escrever TCC, em MS. — Foto: Facebook/Reprodução

Gabriel fez um post em uma rede social falando de seu sonho. Ele conta que viveu episódios marcantes trabalhando na rua: “Uma vez estava catando latinhas do lado de fora do estádio, porque não podemos catar lá dentro. Havia uma família na portaria, aí quando uma moça me viu, começou a buscar latinhas dentro do estádio e levava para mim lá fora”, relata.

 

“As pessoas costumam olhar com um certo pré-conceito quando vêem alguém catando latinha, mas muitos nos tratam bem. É importante falar que este é um trabalho digno como qualquer outro. Vou seguir nele até poder comprar meu note.”

Gabriel Jard agradece apoio em rede social para juntar dinheiro e comprar computador, em Corumbá. — Foto: Facebook/ReproduçãoGabriel Jard agradece apoio em rede social para juntar dinheiro e comprar computador, em Corumbá. — Foto: Facebook/Reprodução

Gabriel Jard agradece apoio em rede social para juntar dinheiro e comprar computador, em Corumbá. — Foto: Facebook/Reprodução

 

O jovem mora com os pais e mais duas irmãs, uma de 23 e outra de 2 anos. Ele explica que o esforço para concluir o curso de educação física é uma forma de mudar a realidade, não só a dele, mas de toda a família.

“Eu sou o terceiro da minha casa a ingressar na universidade e creio que a educação pode nos levar a qualquer lugar que a gente quiser. O estudo, na verdade, liberta o ser humano por meio do conhecimento e eu vou conseguir realizar o meu sonho, finaliza.

Estudante vai de bicicleta para participar de projeto de estágio do curso de educação física. — Foto: Arquivo Pessoal/Gabriel JardEstudante vai de bicicleta para participar de projeto de estágio do curso de educação física. — Foto: Arquivo Pessoal/Gabriel Jard

Estudante vai de bicicleta para participar de projeto de estágio do curso de educação física. — Foto: Arquivo Pessoal/Gabriel Jard

O tema do TCC de Gabriel será um projeto circense que ele monitora, e é direcionado para a comunidade acadêmica. Em um dia, ele consegue catar em média 4kg de latas e depois, vende o material: “Cada quilo sai entre R$2,50 e R$3,00. Tem que ralar, mas com um passo de cada vez a gente chega lá”, finaliza.

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