No Roblox a criatividade é bem-vinda. Nesta plataforma de videogames destinada a menores de idade, os usuários não só podem participar dos jogos como também podem criar seus próprios universos virtuais e colocá-los à disposição da comunidade de internautas.

Mas a segurança do espaço virtual nem sempre está 100% garantida. O Roblox apagou um de seus jogos depois que a mãe de uma menina de sete anos denunciou no Facebook, com capturas de tela incluídas, que tinha surpreendido sua filha enquanto assistia ao estupro do seu próprio personagem virtual por parte de outros usuários. O caso gerou a indignação de outros membros da comunidade virtual.

O Roblox, cujo produto tem mais de 60 milhões de usuários em todo o mundo, diz que as normas e os filtros para evitar conteúdos inapropriados ou ofensivos são rigorosos. A companhia afirma que o responsável pelo conteúdo “foi expulso permanentemente da plataforma”.

Amber Petersen, uma mãe da Carolina do Norte (EUA), contou no Facebook que na manhã de 28 de junho estava lendo uma história para a sua filha de sete anos enquanto a menina utilizava o Roblox com o seu iPad. De repente, a pequena lhe mostrou a tela.

“Não podia acreditar no que estava vendo, o avatar da minha adorável e inocente filha estava sofrendo um estupro grupal violento por parte de dois homens”, escreveu na rede social.

Petersen também acrescentou nos comentários de seu post algumas imagens da cena. “As palavras não podem descrever o choque, o asco e o remorso que sinto neste momento, mas trato de deixar estes sentimentos de lado para lançar esta advertência a outros o quanto antes”, acrescentou a mulher.

Petersen relatou que seu marido e ela tinham colocado todos os ajustes de privacidade previstos pelo Roblox no máximo nível possível.

O post da norte-americana gerou uma reação de indignação por parte de muitos usuários do Facebook que Petersen tem em sua lista de amigos.

“É tão difícil confiar na tecnologia”, comentou uma usuária chamada Jenny Mundell. Outros manifestaram seu assombro pelo ocorrido e se solidarizaram com a mãe da vítima.

O Roblox afirma que no caso da menina nos EUA o responsável pela situação não criou o jogo da maneira convencional e sim utilizando uma estratégia para “passar o mais desapercebido possível”. A empresa admite que, em alguns casos, podem ocorrer falhas humanas na fase de controle de conteúdo, mas a reação para consertar o problema costuma ser muito rápida.

O autor das cenas de violência sexual mostradas por Petersen no Facebook, de acordo com o Roblox, não poderá de nenhuma forma voltar a acessar a plataforma.

A empresa afirma que seus executivos já estão trabalhando com a mulher “para que, com seu feedback, a plataforma seja ainda mais segura às crianças”. Petersen publicou no Facebook uma mensagem enviada pela empresa com o mesmo conteúdo do e-mail enviado pelo Roblox ao EL PAÍS.

Os riscos do mundo virtual

 

Em vez de uma proibição total de acesso aos videogames, é preferível que os pais tentem acompanhar seus filhos no consumo dessas plataformas e tentem entender seu funcionamento, de acordo com o especialista em cibersegurança para as crianças. “O recomendável é que utilizem o jogo primeiro com a criança, nos primeiros dias explorem o videogame e vejam do que se trata”, diz Ransán. Também são aconselháveis outras medidas, como “colocar o computador e o tablet em um local comum da casa para ficarem atentos às ações da criança” e dialogar com seus filhos para se informar sobre suas atividades virtuais.

No Roblox existem atualmente mais de 40 milhões de jogos online. Quase a metade das crianças norte-americanas entre 9 e 12 anos usa a plataforma ativamente, de acordo com dados da empresa. Ransán acredita que plataformas como essa são ferramentas “interessantes” porque fomentam “criatividade e imaginação” e permitem “o desenvolvimento de habilidades digitais, sociabilização e trabalho em equipe”. Considera, entretanto, que é importante inculcar nas crianças “o bom senso dos adultos” no momento de utilizá-las. “As crianças sabem mais sobre tecnologia, mas nós sabemos um pouquinho mais sobre a vida”, afirma.

 

El País

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