Com a ajuda de um primo, José Gomes Rodrigues furtou o corpo de Rosilei Poltronieli do cemitério de Dois Irmãos do Buriti e a enterrou novamente em seu quintal, em Campo Grande. José afirmou ter cumprido um pacto de amor eterno com a vítima e antes do novo sepultamento, forrou o buraco com tapete e cercou de travesseiros.

Ele queria enterrar a vítima sob a janela do quarto dele, mas não deu certo. Rosilei foi sepultada pela segunda vez com roupas escolhidas por José, com o qual conviveu por mais de 20 anos.

A versão romantizada da história surreal, com episódios de violência em vida e morte, é contada pelo primo Edson Maciel Gomes, que ajudou a polícia a desvendar o mistério iniciado com a violação na última terça-feira, em Dois Irmãos do Buriti, a 83 quilômetros de Campo Grande.

Edson Maciel Gomes prestou depoimento e foi liberado. José é ex-tenente, excluído da Polícia Militar, mas ainda não foi encontrado. Por isso, só o primo acompanhou a polícia até a chácara na tarde de ontem e ali revelou a localização do corpo, para alívio da família e fim de uma tragédia que começou com facadas em um bar, no sábado passado.

Ele participou da elaboração e execução do plano de “resgatar” a amada do cemitério, para cumprir “pacto de amor eterno”, conforme relato de José.

“Segundo o primo, ele alegou que os dois tinham feito um pacto. Que quem morresse primeiro, buscaria o outro para ficar junto para sempre. Depois do furto, abraçou, chorou e no caminho até aqui ficou o tempo todo conversando com o corpo dela, dizendo que ia amar pela vida toda. Antes de enterrar, ainda lavou os cabelos dela com shampoo”, detalha a delegada Nelly Macedo, de Dois Irmãos do Buriti.

Para ela, o caso revela muito sobre violência doméstica. “Mostra o que é o sentimento de propriedade, típico de violência doméstica contra as mulheres. É o pensamento de todo agressor”, reforça.

Rosilei foi esfaqueada em bar de Terenos na noite de sábado, 9 de fevereiro, depois de discussão com o trabalhador rural Adailton Couto. O autor foi preso e ela morreu no hospital, na madrugada de domingo (10), em Campo Grande. Os últimos episódios de vida e sepultamento revelam uma mulher morta várias vezes pelos homens.

José estava preso quando Roseli foi assassinada, por ameaçar a ex-namorada como já era rotina na relação do casal. Ele saiu da cadeia horas depois do 1º enterro e já planejou o furto do corpo.

Viajaram em um Ford Focus até Dois Irmãos do Buriti, e na madrugada de terça-feira, por volta de 2h, com um carrinho de mão do próprio cemitério e algumas cordas, os dois retiraram Rosilei do tumulo, 17 horas após o primeiro sepultamento.

Ainda embriagados, seguiram até a chácara de José, na região do Aeroporto Santa Maria, na Capital. O homem chegou a confessar o que havia feito às duas filhas que moram com ele na propriedade. “Mas elas se negaram a participar. Parece que todo mundo tem muito medo dele”, comenta a delegada.

Coube ao primo ajudar na preparação do novo sepultamento, com cuidados para que ninguém percebesse a cova no lugar. “José queria que ela fosse enterrada pertinho da janela dele, para ficarem juntos, mas não deu certo. Eles então fizeram o buraco sob a árvore”, diz a delegada. “Depois cobriram de uma forma que não dava para ver de cara”, relata o delegado Márcio Obara, da Delegacia de Homicídios de Campo Grande, que apoiou as investigações.

O caso começou a ser desvendado graças às imagens de segurança que revelaram a entrada do carro no cemitério. Depois, Edson resolveu se entregar porque estava recebendo ameaças.

Até agora a delegada só conversou com José por telefone, e ele ainda tentou convencer a polícia a desistir das buscas. Mas ele mesmo acabou se entregando. “Em uma das conversas ele disse: ‘retalharam o corpo do meu amor’. Ai eu questionei como ele sabia, se nem havia ido ao enterro porque estava preso”, conta Nelly Macedo.

A versão de amor incondicional de José também cai por terra diante de vários boletins de ocorrência, inclusive de estupro, registrados por Rosilei contra o ex-namorado nos últimos anos. O homem é descrito pela família como alguém obcecado.

Hoje, 36 horas depois do furto, a polícia ainda aguarda autorização da Justiça para dar à vítima o 3º sepultamento, processo necessário já que a 1ª vala foi violada. Além disso, a delegada responsável pelo caso, não acredita que José irá se apresentar, por isso vai pedir sua prisão preventiva. Ele pode responder por subtração de cadáver, crime com pena de 1 a 3 anos.

Fonte: O Pantaneiro

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