Quem dirige pela BR-262 rumo à Corumbá consegue ver fumaça com facilidade a pelo menos 50 quilômetros antes de chegar na cidade. Perto da rodovia, o fogo está sendo combatido desde sexta-feira (6) e atingiu um local chamado Porto Morrinho, que concentra quase todas as antenas de telefonia da região. As chamas que chegaram a 4 metros de altura derreteram os cabos de fibra e deixaram Corumbá incomunicável por quatro horas nesta segunda-feira (9).

O fogo no Porto Morrinho ameaçou hotéis fazendas e casas de pescadores, que ajudaram na contenção das chamas. “Nós contamos com o apoio dos moradores da região porque havia o risco do incêndio atingir essa área de hotéis, foi bem próximo da área, conseguimos controlar, mas em outros pontos ainda existe a ameaça e estamos atentos”, disse Márcio Ferreira Yule, coordenador do Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (Prevfogo).

Combate ao incêndio no Pantanal durante a noite — Foto: Prevfogo/DivulgaçãoCombate ao incêndio no Pantanal durante a noite — Foto: Prevfogo/Divulgação

Combate ao incêndio no Pantanal durante a noite — Foto: Prevfogo/Divulgação

“No começo desse mês choveu no estado, mas essa chuva atingiu o Pantanal de MS de maneira bastante esparsa, então tem local aqui no Pantanal que não vê chuva há 1 mês e meio. Os animais sofrem, principalmente, aqueles que são mais lentos como o tatu e as cobras. Nós também encontramos uma grande mortandade de tamanduás, isso ocorre porque esse tipo de animal enxerga mal e tem ofato comprometido pela fumaça”, explicou Yule.

Filhotes nos ninhos também são vítimas das chamas. Além do Porto Morrinho, outras duas grandes regiões pantaneiras estão com a combinação de estiagem e fogo: a região do Nabileque com mais de 500 mil hectares, localizado na parte sul do Pantanal entre a Serra da Bodoquena e o rio Paraguai e a Terra indígena Kadiwéu, com 534 mil hectares.

Ainda de acordo com o Centro de Prevenção, apenas 1% dos incêndios tem causas naturais, o restante é causado pela ação humana. O Centro ainda afirma que só uma chuva constante de dois dias pode solucionar as queimadas no Pantanal de Mato Grosso do Sul.

Incêndio na Terra indígena Kadiwéu — Foto: Prevfogo/DivulgaçãoIncêndio na Terra indígena Kadiwéu — Foto: Prevfogo/Divulgação

Incêndio na Terra indígena Kadiwéu — Foto: Prevfogo/Divulgação

Compartilhe:
Carregar mais Artigos Relacionados
Carregar Mais por Redação
Carregar Mais em Meio Ambiente

Checar também

Toneladas de tomates são descartadas às margens de estradas para não baixar os preços

Toneladas de tomates têm sido descartadas por produtores rurais às margens de estradas em …