Dona Sebastiana Almeida, 69 anos, ao ficar sentada na varanda de sua casa, pode observar atentamente a movimentação de máquinas e operário preparando o solo da Estrada Ecológica (MS-450) para implantação do asfalto, um sonho de 30 anos dos moradores da região. Desde os anos 1960, quando passou a morar com a família no local, ela vivenciou momento de apogeu com seu comércio, na época do Trem do Pantanal, e, agora, projeta uma vida melhor para todos.

“Criamos os filhos com o movimento do trem, depois parou tudo, ficamos isolados aqui, sem ter para quem vender”, diz a comerciante, que mantém uma venda e aluga quartos para os turistas que chegam para pescar no Rio Aquidauana.

A propriedade de Dona Sebastiana fica situada entre a estrada e o rio, ao lado dos paredões da morraria da Serra de Maracaju.

“A gente andava desanimado, até com vontade de vender tudo, mas o asfalto pode ser bom, trazer de novo o progresso”.

O Governo do Estado investiu na pavimentação de 18,5 quilômetros da MS-450, entre os distritos de Palmeiras (Dois Irmãos do Buriti) e Piraputanga (Aquidauana). A chegada da infraestrutura em uma região de forte potencial turístico é sinônimo de desenvolvimento, além de facilitar o acesso. Novos empreendimentos de hotelaria estão sendo aguardados, anuncia a Prefeitura de Aquidauana.

Obra avança na morraria

A MS-450, que possui 55 quilômetros de extensão, do trevo com a BR-262 a Aquidauana, é o principal acesso aos distritos, privilegiados pelos recursos naturais situados no entorno dos paredões de arenito da Serra de Maracaju, entrecortados pelo rio de mesmo nome do município.

O local é muito visitado por pescadores e amantes de esportes de aventura, como trilhas, ciclismo e escaladas, e conta com estrutura de hotéis, pousadas e pesqueiros ao longo do rio, que divide planalto e planície.

A chegada da infraestrutura viária vem sendo comemorada pelo trade turístico, comércio e produtores rurais da região. Para o dono do restaurante Pita, de Piraputanga, Ademar Cassaro, 49 anos, o asfalto “é uma grande conquista” e impulsionará a economia, principalmente o ecoturismo.

“Estou aqui há 15 anos e nosso sofrimento sempre foi a dificuldade de acesso. Quando não é a poeira e os buracos, o atoleiro quando chove”, afirma o comerciante. “A gente agradece muito ao governador”, conclui.

Em agosto de 2017, a obra contemplando o último trecho primário da estrada foi autorizada pelo governador Reinaldo Azambuja (PSDB), ao custo de R$ 17,6 milhões. Apesar das chuvas e das dificuldades naturais, como o solo rochoso e implantação de redes coletoras de águas pluviais, o serviço segue dentro do cronograma, de acordo com o Governo do Estado, com mais de 70% concluído. A ponte de concreto sobre o Córrego das Antas foi licitada, ao custo de R$ 1,7 milhão, e as estruturas pré-montadas já estão no local.

Arqueologia preservada

Classificada como Estrada Ecológica, a MS-450 integra a APA (Área de Proteção Ambiental) de 10 mil hectares, criada em 2000. O complexo é um diversificado ambiente que exigiu uma intervenção monitorada pela Agesul (Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos), que contratou um arqueólogo para realizar estudos das áreas com incidência de sítios arqueológicos. Vários fragmentos do período pré-indígena, com milhares de anos, foram encontrados no trecho.

“É uma obra difícil, não apenas pelas características da região, que exige cuidado ambiental por ser um ecossistema muito complexo”, explica o engenheiro Ricardo Ximenez, gerente de obras da Agesul. “Usamos o mínimo de explosões para retirada de pedras, árvores nobres foram preservadas, bem como uma área definida como sítio arqueológico, onde o Governo decidiu não pavimentar”, acrescenta.

Já no distrito de Piraputanga, uma faixa de 750 metros receberá uma base primária para preservar o sítio arqueológico descoberto ao pé da morraria, no qual o contorno já está pavimentado com alargamento da pista.

Na atual fase da obra, a empreiteira executa implantação de estruturas de drenagem e nivelamento da via, enquanto aguarda autorização para pavimentar os trechos sob investigação arqueológica e próximos ao Córrego das Antas. (*Fotos: asfalto chegou ao trecho sinuoso que cruza a morraria, margeando o Rio Aquidauana – Edemir Rodrigues)

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