Galhos, bambus e troncos de árvores tomaram conta de um trecho do rio Miranda, na cidade de mesmo nome, que fica no Pantanal de Mato Grosso do Sul. A situação está crítica no ponto próximo à ponte do Calcário desde sexta-feira (10) e surpreendeu quem mora na região.

O secretário municipal de Obras da cidade e coordenador da Defesa Civil, Amarildo Arguelho, explica que nessa época do ano é comum ver galhos no rio, porém a quantidade dessa vez surpreendeu. “Desse jeito nós nunca vimos. É a primeira vez”.

De acordo com ele, o material chegou rapidamente debaixo da ponte, levado pela correnteza. “Quando vem devagar nós vamos limpando. Os próprios pescadores daqui vão limpando. Dessa vez veio de repente e ficou do jeito que está”.

Para Amarildo, o cenário no rio é resultado do desmatamento. “Infelizmente nosso rio está assoreado pra cima e o desmatamento está incontrolável e agora tá mais perto do leito do rio, aí acontece isso aí.”

Situação é crítica no rio Miranda — Foto: Domingos Lacerda/TV MorenaSituação é crítica no rio Miranda — Foto: Domingos Lacerda/TV Morena

Situação é crítica no rio Miranda — Foto: Domingos Lacerda/TV Morena

A situação preocupa quem mora na região. “Agora que ele [rio] tá começando a encher, tá assim. Quando ele pegar mais água vai ser pior. Porque essa [sujeira] que veio, veio da margem mesmo. E a que tá mais pra dentro? Nós estamos achando que quando abrir a pesca, nós vão vamos conseguir nem trabalhar”, avalia o pescador profissional Eder Aparecido de Oliveira.

 

Para o aposentado Osvaldo Crisóstemo Filho, morador da região, o desmatamento tem acabado com rio. ” Dá uma enchente, roda essa montueira de madeira. E é dia e noite. Então, eles fazem muito desmatamento lá e jogam dentro do rio. Aí o pessoal fala que quem acaba com os rios é o pescador. Não é o pescador que acaba com o rio, é o desmatamento”.

Limpeza

A limpeza do leito do rio começou no sábado. Pescadores, Polícia Militar Ambiental e a prefeitura trabalham para retirar o material. Uma retroescavadeira auxilia nos trabalhos. Conforme os galhos vão se soltando, vão seguindo o curso do rio. Tudo para que a navegação volte ao normal.

Nesta segunda-feira (13), os trabalhos continuam. Mas o tempo chuvoso prejudica a limpeza.

Os galhos não estão submersos, então os peixes e o fluxo de água seguem normalmente. No entanto, quem vive na região afirma que o volume de água neste período do ano costuma ser maior do que o atual.

Rio Miranda sujo, visto de cima da ponte. Limpeza está sendo feito — Foto: Eny Buzanelli/Arquivo PessoalRio Miranda sujo, visto de cima da ponte. Limpeza está sendo feito — Foto: Eny Buzanelli/Arquivo Pessoal

Rio Miranda sujo, visto de cima da ponte. Limpeza está sendo feito — Foto: Eny Buzanelli/Arquivo Pessoal

Meio ambiente

O rio Miranda é destino de muitos pescadores amadores. Muita gente depende do dinheiro que turistas deixam na região. Além disso, há ali diversos pescadores profissionais. Mas, o cenário tem mudado devido ao assoreamento. “O rio Miranda era um rio extremamente usado para pesca. Hoje ele tem uma dificuldade maior. Existem estudos que mostram que o rio Miranda é um dos mais críticos do Pantanal no estado do Mato Grosso do Sul”, fala Felipe Augusto Dias, diretor executivo do SOS Pantanal.

A pesca nos rios de Mato Grosso do Sul está proibida desde o início de novembro de 2019 e só será reaberta em março de 2020 por conta piracema. É nessa época que os peixes sobem o rio para reprodução.

Felipe Dias explica que os galhos não impedem a subida dos peixes, porque o material fica na superfície. No entanto, a qualidade da água fica prejudicada o que também é ruim para a reprodução. “Prejudica os peixes não na migração, mas principalmente na reprodução”.

G1 MS

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