O Cristianismo vai desaparecer. Vai diminuir e encolher. (…) Nós, somos mais populares que Jesus neste momento — Manuela D’Ávila

As frases falsamente atribuídas a Manuela D’Ávila nos remetem a 4 de março de 1966, quando foi publicado um perfil do músico e líder dos Beatles John Lennon no jornal inglês London Evening Standard.

A reportagem, que tinha o objetivo de mostrar como era o cotidiano do integrante de uma das bandas de rock mais famosas do mundo, trazia a seguinte declaração de Lennon: “o cristianismo irá embora. Vai desaparecer e encolher. Eu não preciso discutir sobre isso; eu estou certo e ficará provado que estou certo. Somos mais populares que Jesus agora. Eu não sei quem vai acabar primeiro, rock’n’roll ou cristianismo. Jesus era legal, mas seus discípulos são grossos e medíocres. São eles distorcendo isso o que estraga, pra mim”.

O comentário foi feito em meio a vários outros, e nem mesmo recebeu destaque no título da reportagem, que era “Como vive um Beatle? John Lennon vive assim”. Também não aparece entre as frases destacadas na edição. A imprensa inglesa também não deu atenção à declaração.

A situação mudou meses depois, quando a revista americana Datebookreproduziu a reportagem e usou na capa o trecho “Eu não sei quem vai acabar primeiro, rock’n’roll ou cristianismo”. Repercutida por outros veículos de comunicação dos EUA, a declaração de John Lennon gerou forte reação de grupos cristãos, com protestos em que materiais dos Beatles foram queimados e até ameaças de morte feitas, como relata reportagem da revista Rolling Stonesobre o episódio. Ao ser repetida por décadas, a declaração original sofreu alterações até ganhar o sentido que foi usado contra Manuela D’Ávila.

Na última quinta-feira (4), a candidata a vice-presidente negou, em um tweet, a autoria da frase na imagem que viralizou nas redes sociais: “É assim, mentindo descaradamente que eles querem ganhar as eleições. Não vão conseguir. Sou cristã, defendo e pratico o mais absoluto respeito com todas as religiões. Mais uma mentira propagada por quem não tem ideias dignas para apresentar. Nossa ‘arma’ é a verdade. Ajude a compartilhar”.

Em 2008, o jornal L’Osservatore Romano, órgão oficial do Vaticano, anunciou que a Igreja Católica havia perdoado John Lennon — já falecido — pela declaração feita em 1966.

 

AF – Por Bernardo Moura

5 de outubro de 2018, 17h20

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