É verdade que a cantora Rita Lee afirmou, em 2011, no seu Twitter, que namorou com Jair Bolsonaro na escola e que ele gostava mesmo era de um colega de classe?

As publicações vieram à tona na segunda quinzena de setembro de 2018, mas teriam sido publicadas pela cantora Rita Lee em seu perfil pessoal do Twitter em 2011. De acordo com os textos, Lee teria confessado que o agora candidato à Presidência Jair Bolsonaro já foi seu namorado na época da escola, mas que “ele não gostava muito de mulher” e, na verdade, era apaixonado por um colega de classe!

Os tuítes associados à roqueira foram descobertos no dia 18 de setembro de 2018 e o assunto se tornou um dos mais comentados do Twitter, indo parar nos trend toppics

Em uma das publicações, o perfil @LitaRee_real alcançou centenas de milhares de compartilhamentos, além de inúmeras outras curtidas.

Mas será que a cantora fez mesmo essas revelações a respeito de Jair Bolsonaro?

Será que isso é verdade ou mais uma farsa da web?

Tuíte íntimo e antigo de Rita Lee revela que Jair Bolsonaro é gay! Será verdade? (foto: Reprodução/Facebook)

Verdade ou mentira?

Em primeiro lugar, o perfil é mesmo da cantora paulista. Atualmente, a sua conta está com o status de “protegida”, ou seja, não podemos ver as suas postagens a menos que ela aceite o seu “pedido de amizade” na conta dela!

Só que os “escavadores de tuítes” da internet já haviam resgatado boa parte dessas afirmações que a cantora havia feito em 2011 a respeito da sexualidade de Jair Bolsonaro:

Rita Lee afirmou, em algumas postagens que “o apelido de Bolsonaro era Santinha no internato e que, como coroinha, era o preferido de 9 entre 10 padres”:

A dúvida é: Rita Lee é contemporânea de Jair Bolsonaro?

Não! Rita Lee Jones nasceu em 1947, em São Paulo, e o candidato à Presidência Jair Bolsonaro nasceu em 1955. O que dá uma diferença de 8 anos e é pouco provável que ambos tenham frequentado a mesma escola no mesmo período

Além disso, Bolsonaro já afirmou em entrevistas que se apaixonou pela carreira militar aos 15 anos de idade, e a partir daí, não largou mais os estudos em escolas militares.

Rita Lee estudou no colégio francês paulistano Liceu Pasteur no bairro paulistano da Vila Mariana, o que lhe ajudou no seu poliglotismo (ela fala fluentemente português, inglês, francês, castelhano e italiano). Em 1967, a roqueira chegou a cursar Comunicação Social na Universidade de São Paulo, mas saiu do curso no primeiro período.

Como Rita Lee não disse em que época eles teriam estudado juntos, fica difícil de se averiguar esse dado, ainda mais com essa diferença de idade entre eles.

A verdade mesmo é que esse tuítes desenterrados da Rita Lee fazem parte de uma coletânea de contos fictícios (fanfics) da cantora!

Entre 2010 e 2013, a Lee foi acumulando uma série de microcontos que, depois, viraram o livro Storynhas – publicado pela Companhia das Letras:

Reprodução/Companhia das Letras

Nessa sinopse, a editora explica que o livro, que foi ilustrado pelo cartunista Laerte, reúne humor e rock’n’roll:

“Os fãs de Rita Lee conhecem o humor de sua estrela. Ao longo dos anos, se acostumaram com as histórias desbocadas e surpreendentes que Rita conta em sua página do Twitter. São narrativas cômicas, ternas, tristes, biográficas, melancólicas, críticas, ferrenhas, raivosas e doces, às vezes tudo isso numa mesma história – ou numa mesma frase.
Já Laerte muitas vezes não precisa de frases. Seu estilo, tão icônico e marcante quanto uma canção de Rita, atravessou gerações se renovando com frescor e graça. Seja nas tiras, nas histórias longas ou nas ilustrações, os desenhos de Laerte carregam personalidade, humor, drama e política, com doses de filosofia e metafísica.
A imaginação de Rita Lee. O traço de Laerte. Storynhas marca o encontro desses grandes artistas, numa obra inusitada e escandalosamente divertida. Criado a partir dessas mini-histórias, Storynhas é um divã aberto para o pensamento anárquico, filosófico e deslumbrante da cantora.
Atenção: pode conter rock‘n’roll.”

Abaixo, um dos vídeos de lançamento do projeto, onde a cantora explica que seus tuítes eram “pura loucura” e “uma viagem” e que não tem nada de real naquilo tudo:

Aqui nesse link, a Companhia das Letras separou um trechinho com as primeiras páginas de Storynhas.

A “treta” com Bolsonaro

Em 2011, Jair Bolsonaro ganhou projeção nacional (pelos motivos errados) ao ser sabatinado no quadro “O Povo Quer Saber”, do programa CQC – da TV Bandeirantes. Bolsonaro, dentre tantas asneiras como homofobia e outras, respondeu – ao ser questionado pela cantora Preta Gil sobre o que ele faria se um filho seu se apaixonasse por uma negra – que:

“Ô preta, eu não vou discutir promiscuidade com quem quer que seja. Eu não corro esse risco e meus filhos foram muito bem educados e não viveram em ambiente como, lamentavelmente, é o teu”.

Como as declarações polêmicas do político foram assunto no Brasil inteiro na época, Rita Lee quis dar a sua contribuição, “alfinetando” o deputado onde supostamente ele mais sentiria: na sua masculinidade!

Por considerar racistas essa e outras declarações feitas por Bolsonaro, o STF abriu um inquérito contra o então deputado, mas o processo foi arquivado em 2015.

Conclusão

Rita Lee afirmou em seu perfil do Twitter que teve um caso com Jair Bolsonaro e que ele é gay, mas as postagens eram ficcionais e falavam de vários temas. Eles serviram de base para o seu livro de contos, publicado em 2013 quando ela parou de criar fanfics no microblog!  

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